O voto sob mira

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O voto sob mira
Militares de todas as Forças Armadas batem continência para Jair Bolsonaro no Dia do Exército, em abril desse ano, em Brasília (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
  Três meses separam o Brasil das eleições presidenciais, e a previsibilidade do processo eleitoral é perturbada pelos ruídos de uma inédita movimentação militar. Na esteira da retórica bolsonarista de ataque à confiabilidade das urnas eletrônicas e convidadas pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as Forças Armadas assumiram o papel de fiscalizadoras do pleito de outubro. Em um gesto sem precedentes na história recente, militares apresentaram 15 propostas à Comissão de Transparência das Eleições, órgão da Corte que passaram a integrar. Um ofício encaminhado em maio ao presidente do tribunal, Edson Fachin, assinado pelo ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, concluía-se com um aviso de interpretação aberta: “a todos nós não interessa concluir o pleito eleitoral sob a sombra da desconfiança”. Em audiência pública no Senado em julho deste ano, o mesmo Nogueira propôs uma votação paralela, com cédulas em papel, para uma suposta comparação com dados aferidos nas máquinas. A proposta, sem previsão legal, recebeu do general o nome de “teste de integridade”, pondo em dúvida a segurança de um sistema já auditado que, desde sua implantação em 1996 até hoje, nunca apresentou indício de fraude. O questionamento da confiabilidade das urnas é um traço retórico do bolsonarismo de primeira hora, que já em 2018 punha a legitimidade do voto eletrônico em descrédito. O presidente Jair Bolsonaro afirmou repetidas vezes que provaria a fraude nas eleições daquele ano, pois teria, segundo ele, venci

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