O tempo na obra de Aníbal Quijano

O tempo na obra de Aníbal Quijano
Obra da série Geometria Brasileira, de Rosana Paulino (Foto: Reprodução/ Isabella Matheus)
  Tratarei aqui de três conceitos de Aníbal Quijano com relação ao tempo: “reoriginalização”, “horizonte aberto como destino” e “regresso do futuro” – este último, um conceito original e sofisticado com o qual ele introduz outra forma de temporalidade. Em seguida, abordarei como a perspectiva da colonialidade do poder me permitiu mostrar a incidência do tempo nas relações de gênero, isto é, entender a historicidade de uma estrutura tão estável quanto o gênero – apesar de eu ter sempre afirmado que o gênero é histórico, e não biológico, não tinha sido verdadeiramente capaz de visualizar a inflexão histórica nessa estrutura até me encontrar com a perspectiva da colonialidade.  Primeiro tema: a reoriginalização ou o giro epistêmico. É central, na perspectiva da colonialidade do poder, essa ideia da reoriginalização do mundo e, com ela, da subjetividade a partir do evento da conquista e da colonização. O giro decolonial ocorre quando se revela diante de nós a impossibilidade de narrar o processo da conquista e da colonização sem usar um vocabulário posterior ao acontecimento, já que, quando o narramos, nós nos encontramos já em um mundo reoriginalizado, um mundo novo, que pode falar apenas com categorias que não existiam antes. Por exemplo, dizemos que a Espanha descobriu a América, mas esse enunciado é insustentável, pois “Espanha” não existia antes de “América”. Se formos conferir a cronologia, veremos com espanto que o reino de Castela chega à ponta sul da península, termina sua conquista e c

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