O estilo empático na clínica psicanalítica

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O estilo empático na clínica psicanalítica
(Foto: Reprodução)
  “Raspem o adulto e encontrarão a criança” Sándor Ferenczi, 1909 Animus sanandi Apesar de sua obra abarcar as quatro principais dimensões do pensamento psicanalítico – metapsicologia, psicopatologia, teoria da clínica e ética do psicanalista –, o nome de Sándor Ferenczi está intimamente ligado às transformações da técnica apresentadas desde o final dos anos 1910. De fato, o tripé que sustentava o primeiro modelo clínico freudiano – associação livre, manejo da transferência segundo os princípios da neutralidade e da abstinência, e interpretação por parte do psicanalista – já se mostrava, na época, insuficiente para lidar com os casos mais “graves”, como admitiu o próprio Freud em conferência pronunciada no Congresso de Psicanálise de Budapeste, em 1918, e também no relato do caso que ficou conhecido como o Homem dos Lobos, publicado em seguida com o título de “História de uma neurose infantil”. Nele, Freud descreveu como o paciente, considerado um neurótico obsessivo grave, resistia à análise entrincheirado por detrás de uma postura de “dócil indiferença”. Sua inteligência parecia desconectada de seus afetos, permanecendo imune às observações e interpretações de Freud. Percebia-se, assim, que alguns analisandos apresentavam resistências irredutíveis à palavra interpretativa do psicanalista, o que levou Freud e, depois, Ferenczi, a considerarem mudanças no dispositivo clínico que deram origem à chamada “técnica ativa”. Não que a escuta oferecida pelo psicanalista fosse considerada

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