O espectro de Fanon ronda o século 21

O espectro de Fanon ronda o século 21
Fanon discursa em Acra, capital de Gana, em 1958 (Fanon Archives/Imec)
  Tenho para mim que todos os que fizeram de sua vida um destino em prol do comum não tinham plena consciência do alcance de suas ações. Olhando a breve vida de Frantz Fanon (1925-1961), percebe-se algo peregrino na sua experiência: Martinica, França, todo norte da África e a Grande Guerra. Depois, uma bolsa no curso de medicina em Lyon, filosofia com Merleau-Ponty, a psiquiatria com Tosquelles, a Revolução Argelina, a União Soviética e o ponto-final nos Estados Unidos… Há algo nesse destino contrário às fronteiras, quer sejam materiais, simbólicas ou institucionais. Quebras que nos enlaçam a esse homem intransigente que iluminou as lutas antirracistas no mundo todo. Olhando para o sul, na última metade do século 20, percebemos a presença de seu pensamento nas grandes esperanças que animavam o desmonte do colonialismo. Da Tanzânia, passando por Gana e Guiné-Bissau, chegando às linhas revolucionárias de Amílcar Cabral, sua presença se fez sentir. Quando, por fim, as cortinas revolucionárias se fechavam – fazendo parecer que sua sombra diluiria – na medida em que as fronteiras iam se fortalecendo em torno da identidade; na medida em que o racialismo ia aumentando na disputa por territórios; na medida em que genocídios iam sendo perpetrados em nome da raça privilegiada, Fanon ressurgia mais uma vez no horizonte. Parece-me, portanto, que enquanto não superarmos o inconsciente colonial – com todo o restolho da exploração capitalista –, ele sempre terá uma lição a ensinar. Pensar o interesse renovado por sua obra, pensar na tr

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

TV Cult