O cinema e o clichê em Gilles Deleuze

O cinema e o clichê em Gilles Deleuze
O filósofo francês Gilles Deleuze: clichê é toda imagem que tem alguma coisa oculta (Foto: Reprodução)
  Se nosso olhar, estimulado incessantemente por uma pluralidade de signos como os que circulam na rede digital, não se atém a nenhum deles em particular, é porque não vivemos em uma civilização da imagem, como diz Gilles Deleuze, “mas em uma civilização do clichê”. De modo semelhante a Deleuze, Jean Baudrillard afirmava que na sociedade da simulação total, ou na sociedade hiper-real, a imagem hegemônica é o simulacro.  São diagnósticos convergentes, em linhas gerais, porém não é exatamente o mesmo o sentido atribuído aos termos clichê em Deleuze e simulacro em Baudrillard. Deleuze denominava clichê a imagem que tem alguma coisa oculta, porque “todos os poderes teriam interesse em nos encobrir as imagens”, em “encobrir alguma coisa na imagem”. Por sua vez, para Baudrillard o simulacro seria a imagem em que nada é encoberto, pelo simples motivo de que nela não haveria coisa alguma a ser ocultada.  Estamos vivendo na era da rede digital, uma “agonística”, o “momento decisivo” (agón) no qual está sendo decidido o sentido ou o destino das imagens. Esse questionamento sobre o estatuto da imagem no interior da sociedade do espetáculo é o tema central dos textos sobre cinema de Gilles Deleuze. No final de Cinema 1: a imagem-movimento (1981), o autor afirma que é o “cinema autorreflexivo”, como o de Jean-Luc Godard, e não o “cinema reflexivo”, como o de Ingmar Bergman, que evidencia o drama da percepção no interior de uma guerra das imagens; pois, “em vez de se ater a uma consciência crítica negativa”

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