O ceticismo e a ação política

O ceticismo e a ação política
Descartes não era um cético, embora sua criatividade filosófica o tenha levado a formular novos argumentos céticos (Imagem: Reprodução)
  A influência secular do ceticismo antigo, cuja fonte principal é a obra de Sexto Empírico (que viveu provavelmente no segundo século da nossa era), motivou o interesse pela relação entre essa peculiar escola filosófica e a política. O fato de essa importante escola da Antiguidade ter florescido durante o helenismo, período marcado pela crise da pólis grega e pela ascensão de impérios, tem sido usado para justificar a escassez de referências que Sexto faz a temas políticos. De outro lado, a influência do ceticismo pirrônico no surgimento do pensamento moderno (bem documentada por Richard Popkin em seu famoso livro História do ceticismo: de Erasmo a Spinoza) e na querela entre protestantes e católicos por ocasião da Reforma, tem motivado interpretações que associariam o ceticismo a uma ou outra espécie de conservadorismo político, por meio da recusa que ele proporcionaria da confiança no uso da razão como norteadora tanto de reformas religiosas como de revoluções sociais. Também têm sido feitas outras comparações que mostrariam uma afinidade entre o ceticismo e o liberalismo político, ou entre o ceticismo e o cosmopolitismo. Outros importantes filósofos céticos, como o brasileiro Oswaldo Porchat (1933-2017), foram enfáticos ao não identificar nenhuma incompatibilidade na hipótese de dois céticos pirrônicos votarem em diferentes candidatos ou ainda exercerem a política em tendências diametralmente opostas. O interesse pelo ceticismo marca tanto a filosofia moderna como a filosofia contemporânea, porém muito mais os estudo

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