Privado: Mudando de escola

Privado: Mudando de escola
Christian Dunker Há uma transformação em curso nas escolas de São Paulo. Diferenças seculares entre orientações de ensino, propostas de formação e perspectivas de excelência ou vanguarda entraram em uma espécie de régua comum, primeiro jurídica, depois comercial, e enfim cultural. Contudo, a cultura como régua comum pode funcionar como o leito de Procustro. Esse famoso personagem grego, hospitaleiro e inclusivo, recebia todos em sua morada, mas tinha uma só cama, de tal forma que, os que fossem muito baixos, ele os esticava, e os que fossem muito altos, ele cortava seus membros. Assim o leito de Procusto estava sempre justo. É como se ouvia em algumas escolas antigamente: aqui não temos problemas com drogas; quando achamos um, mandamos imediatamente para fora. Para Axel Honneth, a formação ?reúne as noções de cultura e educação, possuindo assim uma espécie de função terapêutica. Ela tem de conciliar dois outros sistemas de contradição, o primeiro formado pela dialética entre amor e amizade, o segundo formado pela dialética entre direito e ética. Seguindo o caminho da teoria crítica, Honneth entende que formação é experiência e experiência é contradição. Essa função terapêutica é dupla, pois envolve a reconstrução de uma experiência que nos antecedeu, na esperança amorosa de curar os impasses não resolvidos, mas também a aposta de que as próprias contradições que nos habitam sejam reconstituídas no futuro, e de outra maneira, pela transformação ética de suas condições jurídicas. Mas o que estamos acompanhando com

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