Meu Foucault
Edição do mês
Texto publicado originalmente na Cult nº 159, de julho de 2011
Em sua última edição do ano de 1978, a revista Aut Aut – a primeira na península a ter se interessado por Michel Foucault – publicou um artigo que eu, na realidade, havia escrito um ano antes, cujo título era “Sobre o método da crítica da política”.
Era um texto em que eu avaliava a influência que os trabalhos de Foucault tinham tido até então – a última leitura foucaultiana até aquela data tinha sido a de Vigiar e punir, traduzida na Itália em 1976 – sobre o pensamento da esquerda revolucionária italiana na qual eu militava naqueles anos.
Nessa época eu tinha começado a me debruçar sobre Marx, em particular sobre os Grundrisse: entre 1977 e 1978, de fato, a convite de Althusser, eu havia dado um curso sobre “Marx para além de Marx”, na École Normale Supérieure (em Paris). Se recordo esses elementos, é pela importância de chamar atenção para a coincidência entre minha leitura de Foucault e um período do meu trabalho em que procuro retomar e resumir uma longa experiência de “revisão” da leitura dos textos marxistas.
Essa revisão não é de maneira alguma uma recusa de Marx, como frequentemente é o caso no final dos anos 1970. Pelo contrário, ela se põe sob o signo de uma adesão plena aos conceitos fundamentais da economia política, dentro de uma militância revolucionária.
Aliança com a direita
Por que, então, eu me interessei por Foucault? Porque, naqueles mesmos anos, o Partido Comunista Italiano (PCI) e os sindicatos, com os quais
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