Direitos Estéticos

Direitos Estéticos
A filósofa Marcia Tiburi (Reprodução)
  Quando pensamos em preconceitos, nos referimos em geral ao âmbito da moral pessoal e social. Preconceitos implicam, inicialmente, o campo da ética e da política, nas quais se pode entender os campos. Contudo, são gerados e sustentados nos níveis bem mais profundos do que se pode avaliar a partir de sua mera exposição verbal, teórica ou prática. Ainda que se exponham pela linguagem verbal e se transformem em leis injustas, escritas ou não, as bases dos preconceitos são infinitamente mais materiais. Elas dizem respeito ao modo como aprendemos a nos relacionar com o outro (seja o próximo, seja a outra cultura, a natureza, a religião, a moral, o desejo, ou modo de ver o mundo) a partir de nossa percepção. A percepção é a potência dos sentidos que nos permitem perceber o mundo ao redor. Ela é totalmente ética e política. A percepção é o lastro corporal de um sistema político – o sistema dos preconceitos. Se a percepção está envolvida no campo dos preconceitos, isso quer dizer que os preconceitos são, em primeiro lugar, estéticos. Negação ao que, na esfera das formas, escapa a um padrão, os preconceitos servem de defesa a um paradigma, um modelo prévio a seguir. Como se constrói e se impõe uma padrão é questão que concerne à educação estética. Algo como uma “ideologia do corpo padronizado” orienta teorias e práticas em relação aos corpos em geral. Essa ideologia visa à dominação dos corpos e suas potências. No cerne dessa ideologia está o ideal metafísico da beleza como perfeição. A beleza é um conceito bra

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