Mãe-coruja: o sonho de Liz

Edição do mês
Mãe-coruja: o sonho de Liz
(Ilustração: Marcia Tiburi)
  Minha irmã e eu fomos a um bar, no momento em que tudo já havia retornado. Nesse bar tinha uns amigos . pedia a minha irmã para ir comigo ver se umas amigas estavam chegando. Nesse percurso, de muita árvore, tinha uma coruja de tamanho humano, a parte de trás era uma coruja e a parte da frente era uma mulher. Ela fazia o som da ave e falava a nossa língua, dizendo para nos protegermos, que aquele era o momento da folhagem. Nesse momento um monte de pássaros se embaraçava em nossos cabelos e eu tentava prender o meu cabelo. Ao sair daquele ciclo, ficamos cheias de penas e folhas no cabelo. Ao retornar, com as amigas que encontramos, para a roda do bar, começaram a aparecer vários redemoinhos pela cidade. E para nos proteger entramos no bar da esquina. Do alto, conseguíamos ver a cidade sendo ‘devastada’ pelos redemoinhos de vento. Eu fiz uma cabaninha de travesseiro para mim e para minha irmã, para nos proteger. mas o medo de morrer estava lá. Quando o redemoinho passou por nós, sobrevivemos. Muitas pessoas morreram e outras não. As que sobreviveram foram levadas pelos ministros do Brasil, eles seguiam a ordem do presidente Bolsonaro. Fomos colocados enfileirados, para fazer um exame de sangue, para ver nossa saúde. Eram muitas pessoas.” Liz, uma mulher de 26 anos, escreveu, já no questionário da pesquisa, a primeira associação que lhe ocorreu: “Até as sensações corporais parecem muito reais. Perdi minha mãe há poucos meses e penso que pode ter relação a necessidade de proteger minha irmã e me proteger”. E não deixou de

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