Privado: Heidegger: ser, tempo e finitude

Privado: Heidegger: ser, tempo e finitude
  Alexandre Ferreira Talvez Martin Heidegger (1889-1976) seja o filósofo cujas reflexões sobre o tempo mais se afastem daquelas com as quais estamos habituados. Para ele, o tempo originário não é aquele da natureza ou do mundo, no qual os acontecimentos ocorrem; nem o tempo do relógio, tomado como uma sucessão de instantes, do qual deriva o tempo objetivo da ciência, homogêneo e mensurável, e muito menos o tempo da metafísica e da teologia, pensado com base no infinito ou na eternidade. A temporalidade também não é subjetiva, como sustentam algumas interpretações filosóficas, de Kant a Bergson. Entretanto, as diversas concepções do tempo mostram que é com base nele que conduzimos nossa existência prática no mundo e nosso conhecimento sobre as coisas. Observamos o ciclo dos astros e da natureza e construímos relógios para nos orientarmos nas tarefas cotidianas e no encontro com os outros. Na filosofia, na teologia e nas ciências, o tempo é índice para a delimitação e a separação das diversas regiões do ser. Já em Platão, as ideias são as essências eternas das coisas, em contraposição aos entes sensíveis, que passam com o tempo. Na física e na história, a medição do tempo é fundamental. Na matemática e na teologia, o tempo é o que delimita o objeto de conhecimento, seja como um objeto atemporal na matemática, seja como um objeto supratemporal ou eterno na teologia. Para Heidegger, o tempo é a instância com base na qual compreendemos as coisas e a nós mesmos. Não seria por acaso que as investigações de Aristóteles e A

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