A artesania do gênero: o legado da Bauhaus

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A artesania do gênero: o legado da Bauhaus
Triadisches Ballett, balé desenvolvido por Oskar Schlemme; estreia aconteceu em de setembro de 1922 (Foto: Wilfried Hosl/Reprodução)
  Em 1922, foi apresentada pela primeira vez a Triadisches Ballett, peça de dança desenvolvida dentro da Bauhaus por Oskar Schlemmer. Dividido em três atos, o espetáculo de balé levava adiante as ideias da pioneira escola de artes e design fundada por Walter Gropius três anos antes. Por desenvolver a formação holística promovida e pensada pela Bauhaus, a peça de Schlemmer fundia forma (Gestalt) e formação da forma (Gestaltung), matéria e processo, pensando a dança a partir do estado mais puro da construção estética e dos efeitos que ela pode produzir.  No programa da Bauhaus, a Triadisches Ballett se destaca por representar um corpo humano atravessado pela pesquisa estética da escola, transformando esse corpo em objeto moldado em sua forma bruta. Nesse ponto, com o olhar contemporâneo que nos cabe, podemos enxergar um aspecto pouco ou nada abordado da Bauhaus, usualmente rememorada quase que exclusivamente quando o assunto é a produção de objetos e projetos gráficos e arquitetônicos: seu legado para as questões de gênero e sexualidade que tanto discutimos na atualidade.  Na miríade do enlargamento das questões de gênero e sexualidade na primeira metade do século 20, a Bauhaus, com sua proposta formalista que se personifica em Triadisches Ballett, acabou por experimentar e esgarçar as formas ditas masculinas e femininas que tanto formatam o que viria a ser um homem ou uma mulher. Ao fazer uso, na constituição das indumentárias de seus bailarinos, de cilindros, cones e retângulos, o balé constrói corpos sexualmente amorfos,

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