Formas mais justas, sustentáveis e compartilhadas de existência

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Formas mais justas, sustentáveis e compartilhadas de existência
Imagem das peças publicitárias que anunciam a Senna Tower (Divulgação)
  Apresentamos ao leitor um dossiê dedicado à arquitetura e à transformação do território no Brasil, um país de dimensões continentais cuja formação histórica e espacial se caracteriza por tensões profundas e persistentes. Trata-se de um território em permanente disputa, atravessado por processos contraditórios que envolvem, de um lado, a exploração econômica intensiva e, de outro, a presença de alguns dos mais relevantes ecossistemas do planeta. Desde suas origens, o Brasil foi constituído como espaço de extração e apropriação, organizado segundo interesses externos e estruturado por formas de domínio que deixaram marcas duradouras na configuração de suas cidades e paisagens. Nesse contexto, a pergunta que orienta este dossiê se impõe com urgência: como pensar e construir cidades em um território ao mesmo tempo abundante em recursos naturais e profundamente marcado por desigualdades históricas? A ocupação colonial do nosso território se deu, em grande medida, ao longo da faixa litorânea, orientada para o comércio atlântico de mercadorias e de pessoas escravizadas. Esse processo inicial não apenas definiu a localização dos principais núcleos urbanos, como também estabeleceu uma lógica espacial voltada para fora, em detrimento de uma articulação interna mais equilibrada. Em paralelo, a ocupação das margens de grandes rios – fundamentais para a circulação e o abastecimento – se deu muitas vezes de forma paradoxal, com cidades que, embora dependentes desses cursos d’água, se voltavam de costas para eles. Segui

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