O lado obscuro da petromodernidade

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O lado obscuro da petromodernidade
Mineração de lítio por evaporação no salar de Atacama, na região de Antofagasta, no Chile (Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE)
  O petróleo continua sendo a força subterrânea que move a política mundial. As tensões recentes em torno da Venezuela – onde se encontram as maiores reservas comprovadas do planeta – e do estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, são apenas dois exemplos emblemáticos de uma dependência global que não dá sinais de esgotamento. Longe de ser apenas um recurso energético, o petróleo é hoje um regime político e um modo de vida. Mas como estudá-lo? Ele se manifesta da mesma forma entre as sociedades que o consomem e aquelas que dependem de sua extração? O que é o petróleo, afinal: uma substância que molda a História ou uma relação social disfarçada de recurso natural? No Sul global, quem é o verdadeiro agente do capitalismo fóssil: o chamado “petroestado” ou o capital internacional? E como o Sul global se encaixa na narrativa, por vezes excessivamente hegemônica, da “petromodernidade”? Pensar seriamente sobre o petróleo exige cruzar fronteiras disciplinares. Neste breve ensaio, percorro alguns dos debates mais urgentes em torno do capitalismo fóssil no Sul global, atento à forma como o petróleo molda não apenas as economias, mas também as dinâmicas sociais e a subjetividade coletiva das nações que dependem de sua extração. Embora aborde questões relacionadas à economia política e à ecologia do capitalismo em geral, também farei referência a alguns debates sobre a análise cultural dentro das humanidades ambientais, com foco na Venezuela como caso paradigmático de Estado petr

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