O feminismo que “fala à margem”: da diferença à coalizão

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O feminismo que “fala à margem”: da diferença à coalizão
Detalhe de “Untitled (Your body is a battleground)” (1989), de Barbara Kruger (Foto: Reprodução)
  O feminismo da diferença aparece no auge das discussões incendiárias entre as feministas estadunidenses entre os anos 1980 e 1990 em torno de questões de igualdade e diferença, porém concomitantemente esta perspectiva tem bastante força na Itália, com a Libreria delle Donne em Milão, com Luisa Muraro e Lia Cigarini, na França com a Librairie des Femmes, com Antoinette Fouque, com Luce Irigaray, entre outras expressões que atravessam o Atlântico. Independentemente do lugar geográfico de origem, sua imprecisão se dá porque o termo nasce no fulcro do movimento de mulheres, como expressão de um espírito de época com a guinada intimista, em que o pessoal passa a ser tratado como político. Se as feministas reivindicam igualdade de direitos civis em relação aos homens, o feminismo da diferença pretende ir além da igualdade para pautar também as diferenças entre mulheres, por entender que mulher é uma categoria múltipla, que atravessa diferentes contextos e crivos de raça, sexualidade, classe social e diferenças culturais que engendram relações de poder. Neste período, o feminismo enfatiza a dimensão do corpo como um “campo de batalha”, como no slogan de Barbara Kruger de 1989 (“Your body is a battleground”). As ideias implicam e moldam o corpo, criam novas performatividades, subjetividades e relações. Outro elemento que está em jogo nesses debates é a quebra de binarismos, como natureza-cultura, e concepções de identidades como categorias fixas, monolíticas e mutuamente excludentes. O signo da diferença se aproxima do pens

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