Privado: A escavadora de significados

Privado: A escavadora de significados
Foto: Giselle Moreira Porto por Helder Ferreira Professora de português, inglês e escrita criativa, tradutora, crítica literária e escritora. Desde os 17 anos de idade, Noemi Jaffe faz das palavras seu ganha-pão; aos 53, ela lança seu primeiro romance – que é também seu sétimo livro publicado –, Írisz: as orquídeas. A decisão de se aventurar em um novo gênero surgiu da vontade de uma mudança, uma vez que ela – que já publicou poesia (Todas as coisas pequenas), contos (A verdadeira história do alfabeto) e ensaios (O que os cegos estão sonhando) – ainda não havia tido a chance de construir personagens para narrativas extensas. “Queria encarar esse desafio de construir a vida de uma personagem – uma pessoa que tivesse complexidade, individualidade, particularidade; que pudesse ter um rosto, uma personalidade”, relata ela, na sala de estar de sua casa, em São Paulo. Assim, nasceu Írisz, a botânica húngara que, fugindo da invasão soviética a seu país em 1956, vem ao Brasil estudar orquídeas no Jardim Botânico de São Paulo com a finalidade de replantá-las em Budapeste. A decisão de escrever sobre uma imigrante se baseou no fascínio de Noemi pela história e cultura da Hungria – especialmente pelo idioma, uma língua que não guarda parentesco com a maior parte das línguas europeias. “Como minha mãe nasceu na fronteira entre a Sérvia e a Hungria, ela fala os dois idiomas, por isso essa língua misteriosa sempre me encantou”, conta. “Além disso, havia a vontade de escrever sobre a revolução húngara – uma revolução fra

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