Dossiê | As mulheres na vanguarda, prenúncio da Revolução Russa

Dossiê | As mulheres na vanguarda, prenúncio da Revolução Russa
Nina Vatôlina (1915 - 2002), 'Fascismo, o inimigo mais perverso das mulheres' (Reprodução)

 

A partir deste mês de fevereiro, a Revista CULT propõe que 1917 se inscreva na pauta do pensamento. Não se trata de celebrar uma data fetiche, nem de anunciar mais uma comemoração oficial. Trata-se de rememorar, criticamente, um ano revolucionário.

Iniciando com Osvaldo Coggiola pelo quadro de uma longa e sinuosa crise institucional, a precedência de Fevereiro emerge, desde 1917, como problema histórico a ser formulado e resolvido no tempo de uma gestação. Com Lincoln Secco, uma primeira fisionomia da revolução vem acompanhada de sombras incômodas, pelas aspirações populares, pela luta – absolutamente decisiva – das mulheres e trabalhadoras russas.

Com Everaldo Andrade, a criação dos sovietes pelos trabalhadores russos assinala o nascimento de um novo poder, bem antes da palavra de ordem de Lênin reivindicar todo o poder aos sovietes, no campo e nas cidades, nas fábricas e nos quartéis. Com Cintia Frencia e Daniel Gaido, as mulheres se apresentam como a vanguarda de Fevereiro cujo efeito imediato será o desmoronamento do edifício de iniquidade que governava a Rússia desde 1613.

Com Ana Nemi, a presença das mulheres é acentuada para além do governo revolucionário, das burocratizações que vão se estabelecer com a chegada dos bolcheviques ao poder. Para muito além do stalinismo, pensa-se a pluralidade das revoluções ainda por fazer, desde a proposta de Mary Wollstonecraft aos franceses (1792) – sem esquecer Clara Zetkin na Alemanha (1892), Angélica Balabánova, Inês Armand, Nadêjda Krúpskaia, entre tantas outras –, de modo que a memória dos debates permite aproximar Aleksandra Kollontai não apenas do Ministério de Serviços Sociais mas ainda das vozes de Lênin e de Trótski.

Com Taisa Palhares, a radicalidade de uma revolução artística se conjuga com a experiência revolucionária, tensionando o avanço da forma e o empenho político.


Silvio Rosa Filho é professor de Filosofia na Unifesp


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