Do dinheiro ao capital fictício

Do dinheiro ao capital fictício
(Arte Andreia Freire)
  As crises econômicas são corriqueiras no capitalismo desde sua origem, podendo assumir variadas formas: crises de superprodução, bancárias, financeiras, de padrão monetário, de superacumulação etc. Para ficarmos apenas no século 20, é possível observar ao menos uma dúzia de crises econômicas relevantes no capitalismo global, além das diversas outras de impacto localizado. Dentro da ciência econômica, poucos autores descreveram tão bem quanto Marx o funcionamento do capitalismo e sua propensão para crises. Ao analisar o método marxista, Belluzzo descreve-o como sendo “eminentemente genético” ou “lógico-genético”, em que as categorias e conceitos mais simples contêm em potência as características das categorias ou conceitos mais complexos, ao mesmo tempo que os últimos contêm em sua gênese as contradições inscritas nas formas mais elementares. Isso significa dizer que o estudo das formas mais simples nos possibilita vislumbrar as formas mais complexas e suas contradições. Sendo assim, a obra de Marx tem como princípio metodológico a desconstrução do objeto de estudo, a sociedade capitalista, e sua reconstrução, peça por peça. Desde o princípio, Marx trata do todo (sistema capitalista), mas a sua análise começa de etapas mais simples e abstratas em que ele descreve categorias e formas sociais e evolui para etapas mais complexas. Nessa construção lógica, a possibilidade de crise aparece desde os primeiros passos, com a descrição do dinheiro sem as suas determinações capitalistas, mas muda de natureza com a

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