Clara Charf: evocações da clandestinidade e da militância

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Clara Charf: evocações da clandestinidade e da militância
Clara Charf, 94, em sua casa no bairro do Bom Retiro, em São Paulo (Foto: Pio Figueiroa/Revista CULT)
  Quem abre a porta é Mazé. Ela pede que a reportagem espere alguns minutos, oferece água e café, e vai chamar nossa entrevistada. “Vão te fotografar, Clara. Fica com o casaco. Tem que sair bem na foto.” A senhora de 94 anos aparece na sala algum tempo depois, movimentando-se com a ajuda de um andador. Está de batom cor-de-rosa, blazer vermelho por cima da camiseta de algodão e um lenço branco em volta do pescoço. “Quer dizer que vocês são os fotógrafos da revolução?”, diz, sorrindo.  É ela quem começa a perguntar, sentando-se no sofá com a ajuda da mulher “durona” que cuida dela há nove anos. Depois que algumas quedas a fizeram parar no hospital, sente medo de ficar em pé, perder o equilíbrio e cair. Não tem muita firmeza nas pernas, explica Mazé. Sai de casa só para consultas médicas e tomar sol na calçada, numa rua tranquila do bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Clara continua a perguntar: “Vocês trabalham juntos? De quem foi a ideia de vir aqui? Mas por que precisam de tantas fotos?”.  “Eu fico encabulada porque nunca sei qual é o objetivo real dessas fotos”, explica. “Fiquei clandestina por muitos anos e teve uma época em que eu não falava, não ria. E eu ria muito. Mas o pessoal dizia assim: ‘Tenha cuidado, Clara, se você rir todo mundo vai te reconhecer’. Eu estava completamente amarrada. Não podia rir e nem chorar.”  Também não podia ter endereço fixo, visitar parentes e muito menos usar a identidade verdadeira: Clara Charf, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) desde os 21

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