Animal
(Wikimedia Commons)
amante
animal patricida
e matricida
cabeça de um saco de
pedras e músicas
aquém de adágios passados
tirados na desordem dos búzios
o desejo é o monoteísmo
da veemência pura
seu desejo é portanto
um politeísmo de águas
claras
uma constelação
e alguém pensa
aquelas luzes
correm juntas numa
mesma matilha
mas não
embaralham-se os apertos em longas-metragens
animal banzeiro e
iconoclasta
através do que é humano
vai atrás do não humano
como minerador de esmeraldas arrastando-se em
sobressaltos
metaliza a escuridão
propícia à
observação do real
liquidado em ventos, rostos desconhecidos
sabidos, impulsos sanguíneos de fuga
de feras por ser uma delas
matos que encobrem fúrias
festas
animal hedônico e
onírico
ouviu da morte que a vida é noite e,
sendo assim, corpo
quente ou gelado
num etéreo sopro de maresia.
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Diogo Amorim Valente Cardoso, 24 anos, é estudante de direito na UFRJ





