Andrzej Żuławski: as imagens das sínteses impossíveis

Andrzej Żuławski: as imagens das sínteses impossíveis
O cineasta polaco Andrzej Zuławski (1940-2016), conhecido principalmente por 'Possessão' (Foto: Divulgação)
  No quadro clínico psiquiátrico, há uma subdivisão dos transtornos de personalidade chamada de “transtorno de personalidade histriônica”. Seus critérios diagnósticos referem-se a certo “padrão invasivo de emotividade excessiva”. Tal padrão se declina em traços como: “interação com outros geralmente caracterizada por comportamento sedutor inadequado”, “demonstra mudanças rápidas de expressão de emoções”, “mostra autodramatização, teatralidade e expressão exagerada de emoções”, entre outros. A história da psiquiatria facilmente mostraria como estamos aqui diante das ruínas do clássico quadro de neurose histérica, abandonado desde o advento do DSM III (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), nos anos 1970. Restou, na verdade, aquilo que se entendia como excessiva sensibilidade e dramatização. O cinema de Andrzej Żuławski, muitas vezes,  foi descrito como “histérico”. O uso parecia meramente analógico, mas ele diz respeito a certa forma bastante precisa de ordenamento da forma estética. Mais ou menos à mesma época, Gilles Deleuze usava a histeria para falar dos quadros de Francis Bacon, de sua maneira de fazer a figura se confrontar com fluxos excessivos e espasmódicos de sensações. Em vez da deposição da figura em prol das suas estruturas de produção, teríamos a permanência da figura, mas através de um excesso de presença que parece depor toda possibilidade de determiná-la pela representação. Há algo disso no cinema de Andrzej Żuławski, todo ele composto de imagens f

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