Liberdades ao redor

Liberdades ao redor
O escritor Tiago Ferro (Eva Becerra/Boitempo/Divulgação
  Há uma camada muito visível em Prisão perpétua e outros escritos, de Tiago Ferro: a liberdade. E a respeito da liberdade, recorro a Jean-Paul Sartre – ela se manifesta diversamente: de acordo com as circunstâncias, com as ações e os fatos que estão ao nosso redor. Uma coisa é experienciar que se é livre no plano das ocorrências (sejam elas políticas, sociais ou até mesmo culturais); outra, bem diferente, está na compreensão e no descobrimento do novo (causando espanto, assombro, deslocamento). É possível ser livre quando os fatos ao nosso redor são sufocantes? “O capitalismo tecnológico parece oferecer a corda bamba na qual migrantes se equilibram precariamente enquanto jovens milionários no Vale do Silício só enxergam a matemática dos algoritmos e de suas contas bancárias”. No livro de Tiago Ferro, composto por 27 textos, prevalece um tom de desesperança em um país enfurecido consigo e com os outros; marcado por profundas mudanças políticas, sociais e econômicas. A proposta do autor é construída na racionalidade do sentir, fazendo referência a certa catástrofe contemporânea e manipulando textualmente o espanto. Ferro aposta em uma nova maneira de compreender o agora: em imersões sobre a ascensão e o fortalecimento de um mundo que era, até recentemente, improvável de existir. Há no livro um desalento em relação ao futuro e a sensação de um país exaurido, de fim de festa. Uma dificuldade de acreditar em saídas viáveis para os valores morais em curso. A ascensão da barbárie, a falência do campo prog

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