O que o realismo mágico pode revelar sobre os desastres ambientais atuais
Edição do mês
Praia coberta de lixo no Panamá (Ocean Conservacy)
Quando o furacão Maria atingiu Porto Rico em setembro de 2017, o tempo pareceu parar de repente. A rede elétrica entrou em colapso, mergulhando os 3 milhões de habitantes da ilha na escuridão. A maioria dos porto-riquenhos viveu 100 dias sem eletricidade; para alguns, foi um ano. Dia após dia, os sobreviventes faziam fila para obter água potável, gás, lonas para substituir os telhados arrancados pela tempestade e comida preparada em cozinhas comunitárias ao ar livre. A vida assumiu uma monotonia repetitiva, baseada na luta para suprir necessidades básicas, dia após dia.
Assim que os porto-riquenhos se acostumaram com essa “nova normalidade”, o tempo começou a retroceder. Doenças havia muito esquecidas, como a leptospirose, voltaram a ser comuns à medida que pessoas desesperadas, com sede, bebiam água contaminada. Mais de 4 mil residentes morreram. Doença e morte nessa escala pareciam fazer parte do passado distante de Porto Rico, não de sua história recente – como um emblema da modernidade ao estilo estadunidense. Essa reviravolta nos acontecimentos era quase impossível de se acreditar, tanto para os porto-riquenhos na ilha quanto para o resto de nós (que víamos as imagens da devastação nas telas).
A magnitude impressionante da devastação causada pela tempestade levanta a questão: como podemos entender os desastres cada vez mais severos da atualidade, como furacões, inundações, deslizamentos de terra e terremotos?
Em vez de pegarmos nossos celulares para procurar respostas, proponho que recorramos à ficção. Não a q
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