“Vocês não nos representam”: uma conversa com Jacques Ranciére

“Vocês não nos representam”: uma conversa com Jacques Ranciére
O filósofo Jacques Rancière (Foto Lana Lichtenstein)
  O ódio à democracia foi escrito pelo filósofo Jacques Rancière como parte de um debate político da França de 2005, mas também poderia ser sobre o contexto político brasileiro de 2014, as eleições presidenciais sob influência das manifestações de rua do ano passado, e o fortalecimento da representação de forças de extrema­-direita no parlamento, sobretudo no Congresso Nacional. Quando menciona um dos slogans que animaram manifestações de rua em Madri – “Vocês não nos representam”– Rancière também poderia estar se referindo aos cartazes exibidos nas ruas de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Numa análise que combina perspectiva crítica aguda dos impasses da política contemporânea com uma forma original de questionamento da democracia representativa, o pensamento desse franco­-argelino de setenta e quatro anos expande o conceito de estética, seu ponto de partida para provocações políticas. Editado pela Boitempo, O ódio à democracia é seu primeiro título de abordagem diretamente política traduzido no Brasil. Até aqui, o conjunto de seus livros parecia mantê-­lo no campo da estética e do cinema, a partir de traduções como As distâncias do cinema e O destino das imagens (Contraponto editora), ou mesmo de clássicos como O espectador emancipado (Ed. WMF Martins Fontes), A partilha do sensível, O inconsciente estético(Ed. 34) e O mestre ignorante (Ed. Autêntica). Está na possibilidade de articular estética e política a originalidade das provocações de Rancière sobre os limites da democracia como modo de org

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

TV Cult