Resistência negra à necropolítica

Resistência negra à necropolítica
(Foto: João Benz)
  Colaboração. Ancestralidade. Circularidade. Partilha do axé (força de vida herdada e transmitida). Oralidade. Transparência. Autocuidado. Solidariedade. Coletivismo. Memória. Reconhecimento e respeito às diferenças. Horizontalidade. Amor. Valores da Coalizão Negra por Direitos, explicitados na plataforma de princípios do grupo. Em 28 de novembro de 2019, mais de cem representantes de entidades negras de todo o Brasil passaram o dia sob uma tenda montada na quadra da Ocupação Nove de Julho, em São Paulo, discutindo linha a linha do documento escrito de forma colaborativa pela internet, nas semanas anteriores. Chovia. Fazia frio. Mas o povo não abriu mão de nenhum detalhe, das 9 da manhã às 10 da noite, com menos de duas horas de pausa para o almoço. A alegria do reencontro com velhas companheiras e companheiros coexistia com o luto e a indignação pelo brutal assassinato de Seu Vermelho, liderança do Quilombo Rio dos Macacos, na região metropolitana de Salvador, de onde viriam duas militantes para o Encontro da Coalizão. Três dias antes do início de nossa atividade, Seu Vermelho, 89 anos, foi morto a machadadas na sala de sua casa. Há 50 anos ele participava da luta para proteger o direito de sua comunidade de viver nas terras preservadas por seus ancestrais. A Marinha tem uma guarita na entrada do quilombo, por manter uma vila naquele território e uma Base Naval no entorno. Mas nenhum militar apareceu entre o momento em que o corpo foi encontrado e a chegada da perícia no local, cerca de cinco horas depois. Um idoso foi assassinado

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