O gênero do mal: A violência como assinatura identitária
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, com Jeffrey Epstein (U.S. Department Of Justice)
Ao longo da História, filósofos e teólogos medievais e modernos discutiram sobre um paradoxo que envolvia as potências e intenções de Deus: se ele criou todas as coisas que existem, teria também criado o mal? Se ele era onisciente e onipotente, teria tido consciência e, portanto, intenção de criar o mal? A desculpa da “privação do bem” nasce via negationis (via negativa): uma saída pela tangente, que tinha como função salvar a ideia de Deus como vemos em Santo Agostinho. A filosofia moderna foi aos poucos deixando Deus de lado e atribuindo a responsabilidade pela consciência ao ser humano portador da liberdade de escolher entre o bem e o mal. Na filosofia contemporânea, a reflexão filosófica sobre o mal foi perdendo terreno para a discussão sobre poder e violência, constantemente tratados em abstrato. O tema do “desejo” sob os véus da psicologização da vida perdeu seu matiz filosófico.
Pensadores em todos os tempos tentaram justificar o mal como um bem para evitar o que Kant chamou de malignidade, a realização do mal pelo mal, sem que ele parecesse uma coisa boa para quem o comete. A teoria de Kant visava salvar a condição humana da ideia de uma ação diabólica, embora ele mesmo reconhecesse que seres humanos são capazes de falhas profundas, de vícios, de crimes e de um egoísmo sem limites.
A profusa matança de mulheres por parte de homens (tendo com elas um relacionamento conjugal ou não), que chegam a matar os próprios filhos e até a si mesmos, pode configurar uma verdadeira “histeria coletiva” em nossos
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