Foucault, leitor assíduo da tragédia

Foucault, leitor assíduo da tragédia
O filósofo francês Michel Foucault (Reprodução)
  A recepção do pensamento de Michel Foucault, trinta anos após a morte do filósofo, continua bem viva. Ela não se encontra consolidada e está longe de ser concluída, pois do mesmo modo que seu pensamento se apresentava como um “pensamento em construção”, também seus veículos – livros, cursos, entrevistas, conferências, emissões radiofônicas, manuscritos – não constituem, até hoje, um edifício acabado. De forma análoga ao pensamento que se pretendia inquieto e em constante movimento relativamente a si próprio, pode-se falar também em uma “obra” que não cessa de se estabelecer e, por isso mesmo, modificar-se. A “biblioteca Foucault” ainda não se encontra inteiramente catalogada, preservando, de certo modo, a intenção de seu “autor” em constituir um pensamento destinado ao deslocamento. Desde os dois últimos volumes da História da sexualidade, publicados no mesmo ano da morte precoce de Foucault, são pelo menos três vagas sucessivas de trabalhos que fazem agitar a superfície aparentemente tranquila – porque é aparentemente dominada por seus leitores – das publicações conhecidas até aquele momento. A primeira delas foi o conjunto de Dits et écrits. Publicados em 1994, os quatro volumes deram a conhecer uma massa de trabalhos até então inéditos, composta por artigos, conferências, prefácios, entrevistas, debates realizados por Foucault durante toda a sua vida. A edição francesa destas centenas de ditos e escritos foi feliz em não classificá-los em temáticas específicas. Sem reparti-los segundo uma

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