“A mesma vida é outra”, de Renata Ettinger, e outros lançamentos
Em seu quarto livro de poemas, a poeta baiana Renata Ettinger empilha poemas que se desdobram como em uma narrativa poética, espraiando-se para temas centrais à autora: a escrita poética, o tempo, o corpo, suas emoções e ciclos de mortes e renascimentos. A imagem da pilha é do prefácio de Luisa Benevides, para quem, no ato de acumular poemas em um monte, a escritora revela a “vida que desponta em meio a tantos dias iguais”. Como ressalta Thainá Carvalho, no posfácio à obra, outro tema central do livro é a metalinguagem, que não aparece apenas como reflexão sobre o ato de escrita, mas também como ponderação “do encontro do leitor com a experiência poética”.
Em um dos último romance do Nobel de Literatura japonês, publicado entre 1961 e 1963, acompanhamos a narrativa de Oki, romancista que viaja a Kyoto para participar das celebrações de Ano Novo, e seu inesperado reencontro com Otoko, com quem teve um caso há mais de 20 anos, abruptamente interrompido após a moça perder um bebê. Representante da corrente literária neossensorialista, Kawabata imprime em Beleza e tristeza diversos motivos que caracterizam sua prosa, como a centralidade de relações controversas, a memória e o tempo como importantes fatores de subjetivação das personagens e a experimentação léxica e sintática para explorar as sensações produzidas pelas cenas e acontecimentos narrados.
Originalmente publicado em 1959 no México, o primeiro livro do escritor hondurenho, naturalizado guatemalteco, traz 13 contos com narrativas curtas e hipercurtas. É o caso do célebre “O dinossauro”, que inaugurou a forma do microconto com uma narrativa de apenas sete palavras: “Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba allí”. O dinossauro, na imprensa da época, era uma caricatura do Partido Revolucionario Institucional mexicano, devido ao tempo que estava no poder. O autor, assim, usava um humor rápido e direto para criticar os problemas políticos e sociais mexicanos, o que caracterizou toda a sua obra. Percebemos seu projeto humorístico e satírico desde o título de sua obra de estreia, que ele nomeou de Obras completas.
Novo livro do filósofo baiano foca-se sobre um problema clássico da epistemologia: a justificação epistêmica, ou seja, “casos nos quais concebemos que é necessário apresentar as razões que temos para acreditar em algo ou fazer algo”, como o autor escreve na introdução. Em quatro capítulos, Waldomiro Silva Filho revisita e reelabora temas e questionamentos já presentes em outros trabalhos, perscrutando uma questão central: “Como estabelecer fundamentos apropriados para nossas crenças?”.
Investigação sobre o processo de escrita do romance Crônica da casa assassinada, do escritor mineiro Lúcio Cardoso. Fruto da tese de doutorado da autora, defendida em 2005 na Universidade Estadual de Campinas, a obra estrutura-se em quatro eixos: o retorno de Lúcio Cardoso ao romance após suas experiências teatrais, com foco na geração de romancistas da década de 1930 e outros projetos do autor; a inserção do romance dentro de um projeto maior, em torno da idealização da cidade imaginária de Vila Velha, na Zona da Mata mineira; o processo de escrita de Crônica da casa assassinada e seus temas obsessivos; análise dos originais do romance e de uma edição crítica publicada em 1991.





