lógica da soberba

lógica da soberba
(The Met Museum)
Quem você pensa que é?” ou “você sabe com quem você está falando?”, “Make America Great Again”, “Deutschland über alles” ou ainda “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” são sentenças de significado indubitável na sociedade da desigualdade naturalizada. Todas portam o princípio da “superbia” na definição de antigos pensadores, tais como Tomás de Aquino. Ora, a “soberba” é classificada como um dos sete pecados da Igreja católica e está ligada ao desejo humano, o desejo de um mero ser mortal, que acredita ser mérito seu algo que, na doutrina cristã, seria necessariamente graça de Deus. Traduzida constantemente como vaidade e vanglória, a “soberba” é o pecado que encabeça todos os outros. Faz o indivíduo ficar cheio de si, considerando-se mais e melhor do que os outros, de forma que ele se põe no lugar que caberia a Deus. Na época em que o próprio Deus é rebaixado a mercadoria, tornando-se uma palavra capturada no discurso da enganação teocrática – e econômica – que abala o Brasil, a soberba de líderes religiosos, pastores e outros capitalistas exige todos os esforços hermenêuticos na luta contra a inescrupulosidade que não poupa nem mesmo Deus. De um ponto de vista conceitual, a soberba corresponde à postura com a qual alguém se apresenta diante de uma pessoa numa posição de superioridade e, por meio dessa autocompreensão, se autoriza a menosprezá-la ou humilhá-la. A soberba não é mero amor-próprio, necessário à economia psíquica, mas uma autovalorização desmedida em detrimento de al

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