Liberdade, sensibilidade e inovação

Liberdade, sensibilidade e inovação
Sem título (1948), de Raphael Domingues Acervo Museu de Imagens do Inconsciente)
  Nise da Silveira, nascida em 1905 em Maceió, foi uma menina privilegiada. Filha única de pais amorosos, cultos e inteligentes, ela mesma contava que podia fazer tudo o que quisesse. Seus pais permitiam que realizasse suas vontades, e, assim, ela desdobrou sua curiosidade científica, desenvolveu seus modos de ver o mundo e sentiu as pessoas sem as amarras dos preconceitos sociais vigentes em sua época. Aos 15 anos, ingressou na Faculdade de Medicina de Salvador, juntamente com amigos que haviam sido alunos do grupo de estudos que seu pai, professor de matemática e jornalista, desenvolvia dentro de sua casa. Encontrou na psiquiatria sua área de atuação. Desenvolveu-a de maneira própria e particular, construindo práticas e intervenções inovadoras. Pautada na rebeldia que sempre a caracterizou, confrontou os tratamentos violentos que eram utilizados pela psiquiatria tradicional. Após se formar em medicina, em 1927 seu pai faleceu, e a situação financeira da família se modificou radicalmente. Mudou-se para o Rio de Janeiro, indo trabalhar no Hospício da Praia Vermelha, onde, segundo ela, atuavam médicos em dificuldades financeiras. Nesse ambiente manicomial, ela tratou pacientes esquizofrênicos crônicos. A equipe de psiquiatras do local afirmava que esquizofrênicos não acessavam suas emoções, eram incapacitados para se vincular afetivamente e pouco tinham contato com a realidade externa. Valorizando sua intuição e utilizando mais seu sentimento do que a racionalidade científica da época, Nise compreendeu que as pessoas ali internada

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