Christian Laval: Governar pela crise democrática

Christian Laval: Governar pela crise democrática
O pensador francês Christian Laval (Foto: Huesca/Divulgação)
  Docente de Sociologia na Universidade de Paris X, Christian Laval possui longa trajetória de atuação política. Militante trotskista na juventude, formou-se politicamente no contexto das mobilizações de 1968 e sua repercussão, não raro invertida, na década seguinte. Doutorou-se em Nanterre sob a orientação de Alain Caillé. Todavia, seu percurso esteve muito longe de ser o de um típico scholar. Quando ainda professor de lycée no subúrbio parisiense, participou, nos anos de 1990, da organização de um instituto sindical de pesquisa, além de dar início aos trabalhos com temas a respeito dos quais viria a se tornar referência. Seu livro A Escola não é uma empresa – traduzido no Brasil pela editora Planta, em 2004 – trata do impacto das políticas neoliberais sobre a educação, muitas delas observadas e vividas diretamente em sala de aula. Nesta mesma época, aprofundou seus estudos sobre o utilitarismo, apoiando-se na análise dos manuscritos de Jeremy Bentham, depositados nos arquivos londrinos. Este viés historiográfico fez do sociólogo Laval um dos nomes mais importantes do campo de pesquisa sobre o utilitarismo e também um dos pioneiros naquilo que seria em pouco tempo convencionado chamar de genealogia do sujeito econômico. Seu livro L’Homme économique: Essai sur les racines du néolibéralisme, de 2007, é um marco nesta nova área de estudo. Foi, contudo, com o filósofo Pierre Dardot que consequências mais sólidas e abrangentes puderam ser extraídas do longo período de gestação de seu arcabouço conceitual, sempre voltado

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