Férias no irreal
Edição do mês
Lepidoptera (1800), De E. Donovan/Wikimedia Commons
Valeu a pena? Claro que não.
Tudo agora é reprise, mera repepetição
irreal, como se fosse um reles remake
de seu próprio som. Lúcida ilusão.
A esta altura, nesta era rasa,
quem quer saber do real, essa tralha?
Você bate na mesma tecla: tudo é fake,
os significados não são mais seus asseclas.
Valeu a pena? É claro que não.
Que pelo menos a velhice
não venha junto com a vileza.
Já não há nenhum Valhala,
nenhuma nostalgia suíça.
Que aqui o sol seja sempre
apenas uma medalha.
O que se pede é elegância,
mesmo em meio ao caos,
mesmo no outono do corpo
ou numa planície do Laos.
Eu sei, você fez o que deu.
Tudo agora – este nada –
é todo seu.
Aqui as borboletas voam
sem asas. Tudo é permitido,
até o mais inconveniente sentido.
Sente-se. Sinta-se em casa.
Oficina Literária é uma seção dedicada exclusivamente à publicação de textos literários inéditos, poéticos ou em prosa. Os originais, com no máximo 3.000 caracteres com espaços, devem ser enviados para oficinaliteraria@revistacult.com.br e inseridos no próprio corpo da mensagem, na qual deverão constar também nome completo, idade, ocupação e endereço do participante. Avaliados pela equipe da revista, os textos não serão devolvidos nem comentados. O envio de qualquer trabalho para a seção implica o reconhecimento do direito não exclusivo de reprodução da obra pela Cult. A autoria e o conteúdo dos textos são de responsabilidade única e exclusiva do autor, devendo a legislação autoral vigente ser respeitada. A Editora Bregantini, ao receber os inéditos, está autorizada pelas pessoas participantes a publicar o material, de forma integral ou editada, na Cult impressa ou online.
RODRIGO GARCIA LOPES é poeta, romancista e tradutor. Em 2026, lançará Limiar, seu oitavo livro de poemas, e a tradução de Ficção suprema, de Wallace Stevens, ambos pela Iluminuras; além do romance Bernard Fischer, pela Patuá




