Expressão e posição

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Expressão e posição
No Brasil, reconhece-se o pioneirismo de Mário de Andrade na defesa de manifestações populares (Arte Fernando Saraiva/Revista CULT)
  Sinais reincidentes indicam mudanças no pensamento sobre cultura na sociedade brasileira. É tentador caracterizar apressadamente essa situação como uma mera adesão ao obscurantismo, sem atentar para as conexões necessárias entre cultura e visão de mundo. Cabe àqueles que defendem uma visão de mundo democrática justificar sob quais critérios é legítimo afirmar que vivemos um retrocesso. Cabe a nós uma tarefa árdua: defender aquilo que nos parecia suficientemente consolidado, argumentar acerca do que se impõe como uma obviedade quando a referência é a abertura à diversidade dos modos de existir. Até alguns anos atrás, era possível enxergar o debate sobre cultura no Brasil como uma trajetória ambivalente, marcada por idas e vindas, mas paulatinamente inclusiva. Vale sublinhar que essa trajetória não se deu de forma isolada, pois refletiu e influenciou discussões que aconteceram em nível global. Desde meados do século 19 e ao longo do século 20, a compreensão sobre o que seria “cultura” foi se ampliando. Descolava-se pouco a pouco de uma acepção classista e eurocêntrica, segundo a qual apenas alguns estratos sociais e determinados povos teriam uma vida cultural digna de ser assim nominada; aos demais, eram reservados adjetivos como “primitivo”, “ingênuo”, “rudimentar”, além da desconfiança de que fossem capazes de produzir bens simbólicos complexos e originais. Não foram poucos os que colaboraram para redefinir o conceito de cultura, dotando-o de um alcance antropológico. No Brasil, reconhece-se o pioneiris

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