Em busca da bossa do futuro

Em busca da bossa do futuro
Nise da Silveira e Carl Gustav Jung na exposição do Museu de Imagens do Inconsciente no II Congresso Internacional de Psiquiatria, Zurique, 1957 Acervo Museu de Imagens do Inconsciente)
  Nise da Silveira participa como pioneira inquestionável de séries históricas que transformaram o Brasil. Formou-se com uma dissertação que criticava o entendimento psíquico que o meio médico tinha das mulheres em 1926; participou de movimentos progressistas pelos direitos das mulheres na década de 1930, o que ocasionou sua prisão; desenvolveu um conjunto de práticas que antecipou o movimento antipsiquiátrico no país. Finalmente, foi a responsável pela recepção estruturada da psicologia analítica, da obra e da proposta terapêutica de Carl Gustav Jung no Brasil, desde os anos 1950. Ainda que tenhamos registros de leituras de textos esparsos de Jung por indivíduos no campo da medicina e das artes, especialmente notados na obra de Arthur Ramos na primeira metade do século 20, a história da psicologia analítica no Brasil e na América Latina se organiza a partir de 1953, com a publicação do tomo Psicologia e alquimia de Jung em inglês, adquirido e estudado por Nise da Silveira. A psiquiatra alagoana teve papel destacado e relevante na implementação e na disseminação das ideias de Jung. As primeiras exposições anuais que realizou no Museu de Imagens do Inconsciente apresentavam, em seus conteúdos, estudos de pesquisas de biografias clínicas, como Nise preferia nomear o percurso de pessoas adoecidas que frequentavam o Hospital Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro. Nise estava à frente de seu tempo quando rompeu com o pensamento tradicional da psiquiatria da época. Desenvolveu, intuitivamente, um movimento próprio, de vanguard

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