A binariedade é uma arma colonial

Edição do mês
A binariedade é uma arma colonial
New York Public Library
  Elaborar gênero e o que o permeia, a partir de uma perspectiva indígena, significa compreender o impacto da colonialidade como aspecto de base, especialmente no território hoje conhecido como Brasil Quando as caravelas europeias chegaram, elas trouxeram os colonos com suas armas visíveis e invisíveis. Enquanto a Bíblia e a pólvora não ficaram escondidas, as doenças silenciosamente mataram milhares. Enquanto a colonização infectocontagiosa ceifava milhares, os invasores também fincaram outra arma, tão danosa quanto e com tentáculos presentes hoje em diversos aspectos da nossa sociedade: o pensamento calcado na binariedade. A primeira raiz, de uma árvore de violências dicotômicas, se manifestou quando os europeus se autointitularam civilizados, enquanto aos povos indígenas coube a categoria de selvagens, conforme registros observados por cronistas como padre Manuel da Nóbrega e Anchieta. Outras foram ramificadas dentro do guarda-chuva da chamada “selvageria”, como sodomitas, canibais e pecadores. A ausência de valores cristãos nos povos indígenas, que possuem seus próprios princípios e práticas espirituais, foi motivo de escândalo e reprovação. O plano de colonização teve como um de seus pilares o caráter missionário de “salvar” todos esses povos das influências do que eram considerados demônios. Mesmo que o conceito cristão de demônios não fizesse parte das crenças originárias e que ninguém tivesse pedido para ser salvo. A convicção em forças binárias tais como Deus (o “bem, celestial”) e demônio (

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

TV Cult