As cidades invisíveis
Obra de Carlos Pertuis, sem data Acervo Museu de Imagens do Inconsciente)
Em 1957, Nise da Silveira esteve em Florença, na Itália. Há uma foto em que podemos vê-la sentada à mesa no terraço de um restaurante. À direita, ela avista o Palazzo Vecchio e pode observar o relógio de sua grande torre. Ao recordar esse período, disse não saber definir o estado do ser vivido naquele momento e do qual não conseguia sair. Nesse embevecimento emocional, percebeu, com espanto, que os ponteiros desandaram. Imaginou que o relógio lembraria diversos acontecimentos da história da cidade: as aventuras de Lorenzo de Médici, a batalha de Montaperti ou o cerco de Siena, quem sabe as pregações de Girolamo Savonarola. Com certeza, se ela tivesse escrito contos sobre Florença, teríamos a conjunção de conhecimento histórico e fantasia, pois o estado emocional sempre faria os ponteiros desandarem.
As cidades em que Nise da Silveira esteve marcam momentos importantes. Nasceu em Maceió, onde viveu a infância e a adolescência. Para ela, a cidade se tornou mítica, pois habitava os seus sonhos. Cursou medicina em Salvador, onde aprendeu a perceber o mal faiscando em olhos humanos. No Rio de Janeiro, envolveu-se com política, foi presa e desenvolveu o seu trabalho no campo da saúde mental, observando de maneira acurada as séries de imagens do inconsciente. O retorno ao Nordeste e a ida ao Norte do país – Maceió, Salvador, Recife, Aracaju, Manaus – se deram após a saída da prisão. Em seu período de clandestinidade, aprofundou-se em Spinoza e, em meio ao sofrimento, vislumbrou a unidade do mundo.
Podemos destacar ainda as pass
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