Nietszche e o absurdo da violência

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Nietszche e o absurdo da violência
Cena do espetáculo Do cavalo nada sabemos (Maurizio Mancioli)
  Em 1889, em Turim, na Itália, ao ver um cocheiro espancando brutalmente um cavalo exausto, o filósofo e filólogo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche correu para proteger o animal, abraçou seu pescoço, chorou copiosamente e desmaiou. Esse episódio marcou o fim definitivo de sua sanidade. A cena real, de alta carga dramática, veio à memória da atriz e diretora Denise Stoklos quando, em 2024, assistiu ao espetáculo solo Quase infinito, interpretado pelo ator paulistano João Paulo Lorenzon. Em cena, ele vive diferentes personagens inspirados em textos do argentino Jorge Luis Borges, todos pautados no enfrentamento do homem diante das adversidades da vida. “Denise rascunhou o fragmento do que seria uma conversa de Nietzsche com aquele cocheiro sobre o absurdo da violência. Fui tomado pela provocação e desenvolvi um texto solo”, conta Lorenzon, que traz a São Paulo, nos meses de setembro e novembro, o monólogo Do cavalo nada sabemos. Durante 50 minutos, Lorenzon se desdobra nos papéis do filósofo, de um homem que acompanha a cena da praça (e aprova sua violência) e do próprio cavalo. As mudanças de personagem são sutis, ora pelo gestual, ora pelo tom de voz. O que se sobressai, no entanto, e impressiona o espectador é a presença física da violência. Lorenzon maneja chicotes tanto para açoitar inúmeras vezes as próprias costas desnudas, deixando marcas vermelhas, quanto para produzir estampidos estridentes no ar ao simular chicotadas. Como usa uma técnica adequada, ele não se machuca. “Sou apaixonado por desajustados”, c

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