Uma pioneira na escuta dos inumeráveis estados do ser

Uma pioneira na escuta dos inumeráveis estados do ser
Nise no Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, em 1946 Acervo Museu de Imagens do Inconsciente)
  Se há esperança para os humanos das próximas gerações, caberá a nós forjar um futuro a partir de nossa ancestralidade ainda não reconhecida. Nas veredas da história da saúde mental e da recepção da psicologia de Carl Gustav Jung no Brasil na primeira metade do século 20, encontramos a vanguarda de Nise da Silveira. Persona non grata por seus contemporâneos psiquiatras, Nise rejeitou a violência do discurso médico daquele tempo para nos dizer que deveríamos olhar nos olhos das pessoas psicóticas. Valorizou o laço, revitalizou a trama de afetos no tratamento de pessoas com transtornos mentais e, mais importante, pensou uma nova forma de se compreender o sujeito: nossos inumeráveis estados de ser. Erudita e assertiva, ela propôs e construiu um sistema de pensamento que culminou numa terapêutica bem-sucedida para quem, outrora, era tido como esquizofrênico. Este dossiê resgata as dimensões estéticas e políticas do pensamento niseano com o objetivo de reposicionar Nise da Silveira como a grande pensadora que foi, em vez de uma mera cuidadora de pessoas a partir da terapêutica ocupacional. No entremeio da arte e da ciência, de posse do saber histórico, mas com olhos voltados para o futuro, tivemos tantos ocultamentos da obra de grandes mulheres. Como Lélia já fora antes tirada de cena, também Nise. Agora, retomamos mais uma grande mulher intelectual de seu tempo e à frente dele, em torno de uma ética precursora de revoluções por vir. Iniciamos nosso percurso nas sendas da História com o texto de Vera Macedo com minha colaboraÃ

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