Privado: Transfeitiçaria musical – ouvindo o novo disco de Karina Buhr

Privado: Transfeitiçaria musical – ouvindo o novo disco de Karina Buhr
Não sei se começo dizendo que “eu também prefiro coisas” ou se repito até aprender que “a tristeza é amiga da onça, ensina a enfrentar leões”. Se medito nessa frase “mulher, a tua apatia te mata” ou se escuto mais uma vez a última música, Selvática e festejo esse tom de inconcebível despertar. Ouço esse heavy metal-macumba feminista, esse deboche bíblico-diabólico, tentando entender o teratológico gênero musical  que só a Karina podia inventar para reunir bruxas, fadas, amazonas, iluminadas e  guerreiras, perdidas e vitoriosas. Ouço-as todas de mãos dadas com Iansã a proteger com sons divinos esse Selvática no qual desassombramos agora o nosso ouvido. Era para a gente se sentir Selvática. Karina me mandou um pedaço de Bíblia pelo telefone. Pensei, é uma mensagem para a Selvática que nos une e desune. Que arromba os sensos dialéticos. Eu tinha a poesia de Karina Buhr, a que faz e desfaz todos os nexos, com sua bruxaria pós-humana, antediluviana, hiperurânica. Tinha o som, os elementos da magia. Essa que fez voltar no tempo, no Gênesis para quebrar em pedaços a miséria macabra que inventou a mulher de um pedaço de homem. Aquele texto pronto pra nos ferrar, ela o rearranjou com brio num clima antigo que ninguém esperava. Um retorno de ancestralidades que não couberam no Gênesis. Vieram absurdamente do futuro como se girassem em círculos para parar aqui, nos ouvidos de quem tiver sorte. Mas isso vai longe, eu pensei. Por que veio de um “corte bruto”. Um corte umbilical. Uma transfeitiçaria. O conceito do disco de

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Novembro

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