Sobre Winnicott, a agressividade de cada dia e a criação de espaços para viver
the winnicott trust/wellcome collection
“A única razão pela qual eu não odeio meu país é porque eu não tenho um país.”
Ghayath Almadhoun
Sobre o quadro geral para a leitura da crueldade
Considero a agressividade mais que um tema na obra de Winnicott: ela possui um fio condutor dentro do seu pensamento. A primeira menção explícita sobre seu interesse em pensar o fenômeno da agressividade como expressão da vida humana ocorreu em 1939, mas o tema persistiu até seus últimos textos. A partir da sua compreensão da agressividade é que se pode pensar o fenômeno da crueldade em suas variadas manifestações.
Já os termos cruel e crueldade aparecem uma centena de vezes em sua obra, com sentidos diferentes, de acordo com o fenômeno que ele descreve – desde o entendimento mais corrente do termo, usado para caracterizar um comportamento inadequado com o outro, até a crueldade “natural” nos bebês, cujo estado de excitação desencadeado pela fome o leva vorazmente ao seio da mãe, o que Winnicott denominou de “impulso amoroso primitivo”. Porém, a voracidade pode se tornar uma avidez – sensação de algo que não mais se sacia – mantendo a crueldade, agora, como um possível traço psicopatológico, próximo daquilo que se denomina como “tendência antissocial”.
Na maior parte das vezes que os termos cruel e crueldade comparecem em Winnicott, eles são usados como uma descrição de realidades vividas no percurso pessoal do desenvolvimento emocional. No entanto, o tema pode igualmente apontar a crueldade que toma a forma de cobrança, vingança e maldade, não sendo po
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