Sair do isolamento da ilha de Lesbos e contar-se na pólis

Sair do isolamento da ilha de Lesbos e contar-se na pólis
Mapa de 1644 da ilha de Lesbos (Bibliothèque Nationale De France)
  A clínica psicanalítica, cirúrgica em marcar as particularidades do sujeito, revela que algumas repetições têm valor para além do enredo particular. Da recorrência do fenômeno que insiste ao que se extrai de como as identificações do desejo do Outro se articulam e ordenam, são possíveis leituras de posição. O que, pela via da reincidência, atravessa diferentes contextos geográficos e temporais nos dá dimensão de uma repetição no laço social e revela seu valor de transmissão. Através dos encontros do Travessias Lésbicas da Psicanálise, sustentados pelos significantes lésbicos e psicanalistas, recolhemos do que ressoa de uma universal particular sapatão os efeitos no simbólico que trabalha apesar da escassez de insígnias. Este dossiê é uma cartografia resultante da tradução dos atravessamentos que se repetem nessa sobreposição, nas hipóteses teóricas e interpretações clínicas articuladas na feitura de uma transmissão. Se o que nos reúne é, em um primeiro momento, certo reconhecimento, algo mais é necessário para que a identificação se torne laço. Experiências compartilhadas de um certo cansaço, nas quais ressurgem formas de violência e apagamentos recorrentes, nos dão a noção de fenômeno pela própria repetição em diversos contextos. Há uma inquietude produzida pelo imperativo de que é necessário aprender a repetir a linguagem dos universais da psicanálise para poder se dizer. As consequências do sofrimento produzido na ausência de nomeação quando se chega ao divã relatando algo para quem não possui

Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »

TV Cult