Revisitando a aquarela das masculinidades

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Revisitando a aquarela das masculinidades
As transmasculinidades se complexificaram pela entrada de novos sujeitos e pelas questões trazidas por eles (Foto: Rony Hernandes)
  O ano era 2012. Fazia alguns anos que eu próprio me afirmara como um homem trans e, aproximadamente há três anos, tinha começado a ganhar visibilidade no país a possibilidade de uma pessoa ser assignada no nascimento como do sexo feminino e, em algum momento da vida, recusar essa assignação, afirmando-se como homem. Duas pesquisadoras fundamentais dos estudos de gênero, Berenice Bento e Larissa Pelúcio, organizavam um dossiê para a revista Estudos Feministas do IFCH/Unicamp sobre transexualidade, e me convidaram para ser um dos autores. Aceitei, e o artigo ganhou o nome de “Homens trans: novos matizes na aquarela das masculinidades?”. A construção interrogativa do título não era mera provocação. Ele retratava o contexto brumoso da própria escrita, onde cores e matizes não eram nítidos. Três anos antes, os homens trans do país estavam na casa das dezenas e, mesmo em 2012, nós ainda conhecíamos quem era quem em cada estado da federação. Se, por um lado, nos conhecíamos, por outro, desconhecíamos como seria quando a transexualidade masculina se tornasse um fenômeno de massa, o que efetivamente aconteceu, sobretudo a partir da segunda metade da década de 2010. De todas as questões que passaram pela minha cabeça ao escrever o artigo em 2012, a que mais me inquietava, epistemológica e pessoalmente, era como aqueles novos homens performariam masculinidades. As transmasculinidades seriam réplicas passivas de modelos pré-existentes? Fariam esforços extraordinários para se adequarem aos requisitos das masculinidades hegemô

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