“Parece-me que houve um estreitamento do que consideramos uma trajetória de desenvolvimento infantil ‘normal’. Isso ocorre ao mesmo tempo que se estreitam as formas aceitáveis de atuação dos pais”
Edição do mês
divulgação
Reconhecido por sua postura crítica em relação à medicalização da infância e por suas análises instigantes sobre diagnósticos de TDAH e autismo, o professor britânico Sami Timimi, psiquiatra da infância e da adolescência, tem contribuído de forma decisiva para repensar a saúde mental a partir de uma perspectiva que valoriza o contexto cultural, social e político.
Com obras amplamente debatidas, como Insane Medicine e Searching for Normal: A New Approach to Understanding Mental Health, Distress and Neurodiversity , sua produção intelectual ilumina caminhos alternativos ao modelo biomédico tradicional e oferece instrumentos para imaginar práticas mais humanas e emancipadoras. A entrevista com Timimi foi realizada por Sandra Caponi e Diogo Boccardi; e a transcrição do áudio e a tradução ao português, por Carolina Azevedo.
Em Searching for Normal, livro de 2025, o senhor menciona que escolheu trabalhar com psiquiatria infantil nos anos 1990 porque a achou mais desafiadora do que a psiquiatria de adultos. O que mais o atraiu para essa área?
Existem muitas maneiras diferentes de construir uma história quando se está tentando dar sentido às coisas que aconteceram na sua vida. Eu poderia voltar a vários pontos de partida distintos – como o fato de ter uma mãe inglesa e um pai árabe, de ter crescido em uma cultura diferente, no Iraque, onde encontrei formas diferentes de compreender e imaginar o mundo. Lá, cresci em uma cultura bastante religiosa, mas também tive uma família que via o mundo pelas lentes da política, da econom
Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »





