Por que as ruas se calaram?

Por que as ruas se calaram? (Arte Revista CULT)
  Não passou despercebido o grande contraste entre as enormes mobilizações que, por um ano e meio, levaram milhões de brasileiros às ruas contra e favor do governo Dilma e, agora, o constrangedor silêncio, nas ruas e nas redes, que tomou o país durante a votação da denúncia do presidente Temer. No debate que sucedeu a votação, duas respostas em geral foram oferecidas. A primeira dizia que os manifestantes anticorrupção, como os petistas haviam reiteradamente denunciado, não eram na verdade contra a corrupção, mas disfarçavam de discurso anticorrupção sua ojeriza à ascensão social dos mais pobres conseguida nos anos Lula. A segunda dizia que o Brasil tinha se cansado, depois de um longo ciclo de mobilizações que vinha desde junho de 2013 e que a esperança de mudança por meio do protesto de rua havia sido substituída por uma espécie de desencanto apático. A primeira resposta não me parece verdadeira, e a segunda não me parece suficiente. Um pouco de história Vale a pena resgatar a história de dois momentos anteriores e que, creio eu, estão entrelaçados e iluminam o que aconteceu depois: os protestos de junho de 2013 e os protestos anti-Dilma e anti-PT que começam em dezembro de 2014. Os protestos de junho de 2013 não produziram uma bibliografia à altura da sua relevância histórica, mas muitos estudos pontuais foram realizados, sobretudo relativos à segunda metade daquele mês. Sabemos, por exemplo, que os protestos mobilizaram uma parcela muito grande da população brasileira – algo como 12% dela – e que o con

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