“Os psicanalistas foram confrontados pelas feministas: um encontro que deu – e tem dado – frutos maravilhosos”
Edição do mês
assistência de fotografia: Eric Albano; tratamento de imagens: Sandro Iung
“O ato de escrever me permitiu seguir analisando”, afirma Vera Iaconelli nas últimas páginas de seu livro de memórias, Análise (Zahar, 2025). Para ela, a escrita é uma resposta ao desejo do analista: “Querer saber sobre o inconsciente para se haver com o outro”. Mas a passagem da fala à escrita também significou um corte, quando percebeu que as histórias que vinham sendo contadas na clínica já não se sustentavam no papel. O que se revela nas páginas do livro, entre recontagens e reescritas, é uma prosa que combina o ensaio psicanalítico, pelo qual a autora já era conhecida; a ficção, que qualquer rememoração naturalmente implica; e o documental, da vida de uma mulher e de tudo o que a levou do divã à cadeira da psicanalista.
Organizadora da série de cinco volumes Parentalidade e psicanálise (Cult e Autêntica) e autora dos livros Manifesto antimaternalista: Psicanálise e políticas da reprodução (Zahar, 2023) e Felicidade ordinária (Zahar, 2024) – este último vencedor da categoria saúde e bem-estar do Prêmio Jabuti de 2025 –, Iaconelli escreve, em seu novo livro, que “a arte vai aonde a psicanálise não consegue chegar”.
Em conversa em sua casa, em São Paulo, ela fala à Cult sobre sua relação com a escrita e com a psicanálise. Reafirmando seu interesse em entrelaçar as teorias de Freud e de Lacan com o feminismo, o que lhe é imprescindível, ela vê a psicanálise como uma “revolução em si mesma” – em “autoimplosão permanente”. Ao narrar sua história e ao lutar pelo lugar da analis
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