Oko: Um deus iorubá e o silenciamento do povo negro

Oko: Um deus iorubá e o silenciamento do povo negro
Cajado de ferro e madeira do orixá Oko, feito na Nigéria, no século 19 (The Brooklyn Museum)
Tornar-se negro é um processo que implica esforço realizado contra forças alienantes e o pacto vigente da branquitude, forças políticas e sociais amplamente demonstradas por Neusa Santos Souza em Tornar-se negro (1983). A própria noção de raça é perversa; criada e utilizada como justificativa contra pessoas negras. Tornar-se negro é uma necessidade; um despertar de consciência que visa à saída de um estágio de alienação para que exista luta por nossos direitos num contexto de luta racial a ser travada no Brasil. A reflexão aponta o tornar-se negro como possibilidade de cura e ressignificação do sujeito negro no nosso país. Aqui, encontramos eco com os traços do processo de individuação de Carl Jung. Lembremos que a individuação é considerada um opus contra naturam, pois se tornar humano, nesse sentido, também é um processo que ocorre contra as forças que nos impelem ao tédio, à compulsão ou ao instinto. Tornar-se humano é separar-se do animal, da pedra ou das plantas, buscar a singularidade dentro do anthropos que todos nós compartilhamos. O anthropos é uma diferenciação da natureza. Reiterando, o processo de tornar-se negro se constitui como luta perante questões históricas, sociais e políticas, frente às forças alienantes da branquitude, constituindo a identidade como pessoa negra tal como a opus junguiana proposta pelo processo de individuação, que se diferenciaria da natureza e rumaria em torno de si própria, do humano que se é. Importa-nos, para analisarmos as questões relativas a um complexo racial, aquilo que foi es

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