O culto do macho: Da crise à falocratose
wikimedia commons
Uma cultura feminicida é aquela em que o macho é cultuado”, escreveram Jill Radford e Diana Russell em Feminicide: The Politics of Woman Killing , livro publicado nos Estados Unidos em 1992. A cultura feminicida é a própria cultura misógina, do ódio às mulheres enquanto o culto do macho implica sua adoração. A cultura do feminicídio serve à sustentação do culto. O culto do macho precisa da matança de mulheres, em particular daquelas que escapam ao culto configurando uma verdadeira heresia no sistema teológico. Nesse caso, o culto do macho, como qualquer outro culto, poderia implicar um puro sacrifício ritual, pelo qual se consegue uma vantagem de um Deus. Porém, a matança não é um holocausto, mas um puro extermínio, uma medida pragmática, quase um genocídio, aquele que venho definindo como “ginecropolítico”. No culto do macho, as mulheres são tratadas como animais ornamentais e, quando deixam de servir à sua esteticonomia, são levadas ao abate.
O culto ao macho define o próprio sistema patriarcal. A imagem do que venho chamando de “macho limítrofe”, em performances de agressividade e violência em geral, com corpos esculpidos numa estética ornamental pela qual se garante a estereotipificação da virilidade reduzida à estética do grotesco, é também a ontologia e a lógica do sistema.
Estamos falando de culto e, no caso do sistema patriarcal, de uma teologia que é, ao mesmo tempo, uma esteticonomia política. A esteticonomia diz respeito às teorias e práticas performativas e espetaculares que sustentam o sistema.
Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »





