O coração selvagem de Marilene Felinto

O coração selvagem de Marilene Felinto
A escritora Marilene Felinto (Carol Godefroid/Ubu/Divulgação)
  Mais de 40 anos depois de surpreender leitores e críticos com As mulheres de Tijucopapo – seu primeiro livro, que a tornou um improvável prodígio de nossas letras ao vencer o Prêmio Jabuti aos 22 anos de idade –, Marilene Felinto continua rebelde, selvagem e contestadora. A escritora pernambucana volta ao romance depois de duas décadas com Corsária (o último foi Obsceno abandono: Amor e perda, de 2002), um livro ainda mais potente e bem-acabado que sua celebrada estreia. A comparação, logo de cara, entre um novo trabalho e seu romance mais conhecido pode até ser uma espécie de “fardo” para a autora – que tem uma produção vasta, em vários gêneros –, mas a “recente” reedição (de 2021) de As mulheres de Tijucopapo e a história de Corsária quase que automaticamente fazem um link entre esses dois livros tão distantes e tão próximos – há livros que vão “perseguir” seus autores a vida toda (e quem sabe até depois da morte), não importando o que eles escrevam no futuro – Tijucopapo parece ser um deles. E as duas narrativas guardam muitas semelhanças: protagonistas fortes, assombradas pela história familiar, com um pai violento ou ausente, com trajetórias que se entrelaçam à história da colonização do Nordeste brasileiro. Sua nova protagonista, “beligerante e corsária”, é uma espécie de sucessora de Rísia, narradora de Tijucopapo e enfant terrible do sertão. Seriam as duas personagens a mesma mulher? Saída de Houston, nos Estados Unidos, a narradora de Corsária vai para Três Estradas, um rincão no Bras

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