O sentido da vida em “O sétimo selo”, de Bergman

O sentido da vida em “O sétimo selo”, de Bergman
Bengt Ekerot e Max von Sydow em cena de “O sétimo selo” (1956), de Ingmar Bergman (Imagem: Reprodução)
  O filósofo estadunidense Stanley Cavell (1926-2018) legou-nos uma visão da filosofia como investigação atenta e sistemática de questões que surgem naturalmente na vida cotidiana, muitas vezes motivadas por insatisfações com a finitude. Um caso exemplar dessa abordagem é seu tratamento do ceticismo: para Cavell, a fixação moderna com a certeza, paradigmaticamente expressa nas Meditações metafísicas de René Descartes (1596-1650), derivaria em última instância do desafio existencial de viver em um mundo sem fundamentos. O objetivo explícito das Meditações é encontrar um fundamento inabalável para o conhecimento; o resultado inicial dessa busca é o cogito: como o próprio ato de duvidar pressupõe pensamento, eu, pelo menos enquanto pensante, existo. Conforme o argumento avança, uma condição adicional é estabelecida: a confiança em Deus como garantidor da adequação entre nossos juízos cotidianos e o mundo. Ora, como notaram vários críticos de Descartes, esse argumento pode ser invertido, e, se a confiança em Deus for abalada, ficará comprometida ‘não apenas a adequação de nossos juízos, mas nossa própria concepção do mundo e de nosso lugar nele. Essa implicação levou vários pensadores modernos a expressarem uma ansiedade típica dessa era – Blaise Pascal (1623-62), por exemplo, confessa que “o silêncio eterno desses espaços infinitos” o assusta, e Friedrich Nietzsche (1844-1900) anuncia as desorientadoras consequências da “morte de Deus”. Cavell também defendeu que o cinema pode chamar atenção para aspe

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