Nutrição estética e política

Nutrição estética e política

Grande festa de “As Bacantes” (Foto: Bob Sousa)

– A coluna Cena Contemporânea recebeu o release abaixo a propósito de uma festa que o Oficina está preparando para este final de semana. Em se tratando de uma iniciativa liderada por um artista da importância de Zé Celso Martinez Correa e frente ao cardápio indigesto que se anuncia nas ruas de São Paulo no domingo, impossível não ajudar a divulgar mais este banquete antropofágico oferecido pelo bode-mor do teatro brasileiro –

54 ANOS DO TEAT(R)O OFICINA: VACINA ANTROPÓFAGA PRO BODE CANTAR

No próximo domingo, 16 de agosto de 2015, a Companhia Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona faz a abertura do Terreiro Eletrônyko na Rua Jaceguay, 520, para comemorar seus 54 anos com uma possessão para Omolú, em um rito de cura – Vacina Antropófaga pro Bode Cantar, capaz de despachar as pestes fascistas do dia da marcha verde-amarela para além das amarras do ódio e comer doenças, saúde, vida e morte da terra em transe, do Brasil e do mundo.

Uma noite de Rito dividida em três partes reúne o antropófago Zé Celso, atuadores do Teat(r)o Oficina – transmutados no bando Strume und Mangue –, José Miguel Wisnik, Celso Sim, Arthur Nestrovski e Sérgio Reze fechando também o ciclo Das Bandas do Oficina.

O primeiro rito acontece a partir das 19h, quando o bando do Strume und Mangue recebe Omolú em sua data festiva, com músicas e cenas que fizeram parte de montagens como Os Sertões e Macumba Antropófaga, para criar com a multidão uma sessão de cura e de aberturas de caminhos em direção à vida.

Zé Celso em “As Bacantes” (Foto: Bob Sousa)

Em seguida, o segundo rito da noite: Zé & Celso – Canções da(e) Antropofagia. Zé Miguel Wisnik (cantor e compositor) e Celso Sim (cantor) interpretam composições criadas especialmente para o Teat(r)o Oficina nos últimos vinte anos, acompanhados pelo violonista e compositor Arthur Nestrovski e pelo baterista Sergio Reze. O repertório se baseia em músicas do próprio Wisnik em parcerias diversas com Oswald de Andrade, Eurípedes, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine e Zé Celso Martinez Corrêa, criadas para as montagens As boas, Ham-let, Mistérios Gozosos e Bacantes, além de outras canções, como Mortal Loucura (em parceria com o poeta baiano Gregório de Matos), Tempo sem Tempo (com Jorge Mautner) e Os Ilhéus (com Antônio Cícero), todas de Wisnik. Traz também Luzes, de Paulo Leminski, História do Brasil, de Lamartine Babo, e a parceria de Jorge Mautner e Wisnik, A liberdade é bonita, um indivisível funk carioca.

O terceiro rito terá início com um brinde coletivo, abrindo o espaço para mais um momento de comida e bebida do bar Strume und Mangue (que estará funcionando a partir das 18h para o público). A partir daí, o diretor, dramaturgo, ator, amante e antropófago Zé Celso dará início a O Bode Coroado – Performance Piano y Voz, onde phala e canta poesias, melodias e interpretações de histórias e parcerias de espetáculos montados há 54 anos na Rua Jaceguay, 520, do Bixiga. Zé toca e troca com o público presente algumas composições conhecidas e outras nem tanto, que contracenam tanto com o momento atual do país quanto com a história do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Sentado próximo ao piano, o público vai viver de perto um momento raro que traz o conteúdo do Te-Ato para a música, e vice-versa.

O Teatro Oficina tem três nascimentos importantes, celebrados anualmente pela Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona: dia 28 de outubro de 1958 (estreia da primeira peça), 16 de agosto de 1961 (inauguração do Teat(r)o Oficina no endereço que ocupa hoje) e 3 de outubro de 1993 (inauguração do Terreiro Eletrônyko com projeto de Lina Bo Bardi e Edson Elito).

Programação:

15/08, às 21h – Zé Pi, Agô Ingoma e Tigre Dente de Sabre

16/08, às 19h – Rito Vacina Antropófaga pro Bode Cantar, com Zé Celso, atuadores do Teat(r)o Oficina, José Miguel Wisnik, Celso Sim, Arthur Nestrovski e Sérgio Reze

Horários: Shows a partir das 21h (no sábado) e das 19h (no domingo). Bilheteria e bar abertos para o público a partir das 19h, no sábado, e das 18h, no domingo.

Ingressos: Meia-entrada para todos a R$20,00. R$5,00 para moradores do Bixiga (mediante comprovação) e para refugiados. Os ingressos são vendidos na bilheteria do Teat(r)o Oficina apenas no dia do show.

Local: Teat(r)o Oficina – Rua Jaceguai, 520. Tel: 11. 3106-2818.
Capacidade: 350 lugares
Indicação etária: 18 anos

Mais informações: www.teatroficina.com.br

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